Por Dra. Camila Vazzoler — Médica Geriatra no Rio de Janeiro
Quando falamos em envelhecimento saudável, muitas pessoas pensam primeiro em alimentação e medicação.
Mas existe um pilar tão importante quanto: o movimento.

O exercício físico é uma das ferramentas mais potentes que temos para preservar a autonomia, prevenir doenças e melhorar o bem-estar físico, emocional e social dos idosos.
E, ao contrário do que muitos imaginam, não é na velhice que devemos parar, é nela que mais precisamos nos mover.
Atividade física x Exercício físico: qual é a diferença?
Muita gente confunde os termos, então vamos simplificar:
Atividade física
São todos os movimentos que gastam energia ao longo do dia:
– limpar a casa
– subir e descer escadas
– caminhar até o mercado
– levantar-se da cadeira
– estender roupas
Isso já traz benefícios para o corpo.
Exercício físico
É a atividade física planejada, com objetivo, repetição, estrutura e acompanhamento, como:
– musculação
– pilates
– hidroginástica
– caminhada regular
– dança
– natação
É essa prática estruturada que gera maior impacto na prevenção de quedas, no ganho de força, no condicionamento cardíaco e na melhora cognitiva.
O mito de que “idoso não pode fazer exercício”
Infelizmente, ainda existe o preconceito de que idosos são frágeis demais para atividades físicas.
Mas a ciência já mostrou o contrário: não é a idade que limita o movimento, e sim a falta dele.
O exercício físico:
- previne sarcopenia (perda de massa muscular)
- melhora o equilíbrio
- reduz o risco de quedas
- protege o coração e o cérebro
- aumenta a autonomia
- reduz ansiedade e depressão
- melhora o sono
- preserva a autoestima
O corpo idoso precisa se mexer, com adaptação, supervisão e segurança.
Exercícios mais recomendados para idosos (e seus benefícios)
A seguir, alguns tipos de exercício que fazem parte do plano de cuidado geriátrico:
Exercícios resistidos (musculação)
- aumentam massa muscular
- previnem sarcopenia
- melhoram a força para atividades do dia a dia
- reduzem risco de quedas
Caminhada
- melhora a circulação
- aumenta o condicionamento cardiovascular
- ajuda na regulação do humor
Pilates
- melhora postura
- aumenta flexibilidade
- fortalece músculos profundos
Hidroginástica
- reduz impacto nas articulações
- melhora coordenação motora
- aumenta mobilidade
Dança
- combina exercício físico com estímulo cognitivo
- melhora equilíbrio e sociabilidade
- reduz ansiedade e isolamento
Alongamento
- preserva mobilidade
- reduz dores
- evita rigidez articular
Natação
- melhora capacidade pulmonar
- favorece condicionamento geral
- trabalha todos os grupos musculares
Exercício físico e longevidade: o que a ciência mostra?
Vários estudos comprovam que:
✔️ pessoas idosas ativas vivem mais
✔️ atividade física reduz mortalidade por doenças cardiovasculares
✔️ diminui risco de AVC
✔️ melhora o controle de diabetes e hipertensão
✔️ aumenta densidade óssea
✔️ reduz sintomas depressivos
✔️ melhora a cognição e retarda declínio mental
✔️ melhora o sono sem necessidade de medicação
✔️ reduz isolamento social
Um estudo recente em São Paulo mostrou que cada hora semanal de exercício reduziu em 14% o risco de idosos com baixo peso evoluírem para perda extrema, condição associada a piores desfechos.
Ou seja: exercício é remédio, e dos mais potentes.
Exercício físico e saúde mental
O movimento não beneficia apenas músculos e articulações.
Ele protege também:
- memória
- atenção
- humor
- autoestima
- sensação de propósito
- bem-estar emocional
Idosos que se exercitam relatam sentir-se mais confiantes, menos ansiosos e mais conectados socialmente.
Mas e as limitações? É seguro?
Sim, desde que feito com orientação.
O geriatra e o profissional de educação física são os responsáveis por:
- avaliar limitações
- adaptar exercícios
- evitar riscos
- monitorar evolução
- orientar intensidade e frequência
A pergunta não é “posso fazer?”, mas sim “como posso fazer com segurança?”
Cada idoso tem um corpo, uma história e uma capacidade diferente, por isso a individualização é a chave.
Conclusão: mover-se é cuidar da vida
Manter-se ativo é uma das decisões mais importantes para quem deseja envelhecer com autonomia, saúde e qualidade de vida.
Exercício físico:
✔ mantém a independência
✔ protege o coração
✔ fortalece ossos e músculos
✔ melhora humor e cognição
✔ reduz uso de medicamentos
✔ prolonga anos de vida com funcionalidade
Envelhecer bem não é apenas uma questão de tempo, é uma questão de movimento.
Quer orientação individualizada para começar a se exercitar com segurança?
Agende uma consulta comigo, em Vitória.
