Por Dra. Camila Vazzoler — Médica Geriatra em Vitória
Muitas vezes, o papel de cuidador não chega com aviso prévio.
Ele acontece.
Um dia, você percebe que aquele familiar querido, mãe, pai, avó, tio, já não consegue realizar sozinho atividades simples do dia a dia. E, de repente, sem planejamento, você passa a organizar remédios, ajudar no banho, acompanhar consultas e lidar com mudanças físicas, emocionais e cognitivas.

Se isso aconteceu com você, respire: você não está sozinho.
E este texto foi escrito exatamente para acolher esse momento e orientar com clareza e humanidade.
Afinal, quem é o cuidador?
Um cuidador é a pessoa que ajuda o idoso nas Atividades de Vida Diária (AVDs), como higiene, alimentação, locomoção, segurança, rotina e acompanhamento nas tarefas básicas.
Esse cuidador pode ser:
- formal, contratado e treinado
- ou informal, que é o caso da maioria dos familiares
No Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, é muito comum ver filhos, netos, noras e sobrinhos assumirem essa função por amor, necessidade ou falta de recursos para contratar ajuda especializada.
Mas ser cuidador não é apenas “ajudar”.
É assumir um papel emocional, técnico e, muitas vezes, exaustivo.
Reconhecer isso já é o primeiro passo para cuidar melhor, do idoso e de você.
As principais funções do cuidador familiar
1. Auxílio nas atividades básicas
Isso inclui:
- banho e higiene
- trocas de roupa
- organização do espaço
- ajuda para levantar, sentar e se locomover
- garantir segurança dentro de casa
2. Monitorização diária
O cuidador é quem passa mais tempo com o idoso, e por isso, percebe mudanças antes de qualquer médico.
É importante observar:
- respiração
- temperatura
- humor
- frequência urinária e intestinal
- glicemia (quando orientado)
- pressão arterial (quando indicado)
- sinais de fraqueza, tontura ou dor
- alterações de peso
Pequenas mudanças podem ter grande significado.
3. Apoio na alimentação
Muitos idosos têm:
- falta de apetite
- dificuldade para mastigar
- disfagia (dificuldade para engolir)
- necessidades específicas por doenças crônicas
O cuidador deve:
- seguir as orientações médicas e nutricionais
- adaptar texturas quando necessário
- estimular a hidratação
- evitar alimentos contraindicados
Não é sobre “ceder aos pedidos”, mas sobre proteger a saúde com carinho e responsabilidade.
4. Estímulo cognitivo e social
O idoso precisa de:
- conversas
- lembranças afetivas
- música
- pequenos passeios
- encontros com familiares
- jogos simples
- rotina estruturada
A falta de estímulo acelera o declínio cognitivo e emocional.
Seu tempo, sua presença e seu olhar fazem diferença real.
5. Gestão da medicação
A polifarmácia é comum na velhice, e também perigosa.
Embora a organização detalhada dos remédios deva ser feita pelo profissional de saúde, o cuidador tem papéis essenciais:
- garantir horários corretos
- evitar esquecimentos
- monitorar efeitos colaterais
- avisar o médico sobre qualquer mudança
- verificar quantidade e validade
Segurança sempre vem antes.
Cuidadores formais x cuidadores informais
Cuidadores informais
São familiares ou amigos que já têm vínculo emocional com o idoso.
Eles conhecem sua história, suas preferências e suas fragilidades.
São fundamentais, mas também os mais vulneráveis ao desgaste emocional.
Cuidadores formais
São profissionais treinados, que podem complementar ou dividir a carga do cuidado.
No Rio de Janeiro, há inúmeras empresas sérias e certificadas que prestam esse serviço.
Em muitos casos, a melhor solução é o trabalho conjunto: família + profissional.
Como saber se é hora de buscar ajuda?
Se você percebe que:
- está cansado demais
- perdeu sua própria rotina
- sente medo de errar
- está emocionalmente sobrecarregado
- as necessidades do idoso aumentaram
- há risco de quedas ou de cuidados complexos
… então talvez seja o momento de dividir responsabilidades.
O cuidado não pode recair apenas sobre uma pessoa.
Você não precisa, e não deve, carregar isso sozinho.
Por que esse assunto importa tanto?
Porque ser cuidador é amar alguém a ponto de reorganizar sua vida.
Mas esse papel exige:
- orientação
- apoio
- informação correta
- acolhimento
É exatamente por isso que escrevo, atendo e ensino familiares todos os dias: ninguém deveria aprender a cuidar sozinho.
Para familiares que cuidam: uma mensagem especial
Este tema é tão importante para mim que escrevi um material especialmente dedicado a você, que acordou cuidador sem aviso prévio.
Meu livro “Mãos que acolhem” nasceu para orientar, acalmar e fortalecer familiares que assumiram esse papel tão nobre, e tantas vezes tão solitário.
Ele traz:
- histórias reais
- orientações práticas
- reflexões emocionais
- conselhos para o dia a dia
- apoio para lidar com o cansaço, culpa e sobrecarga
Se você está vivendo essa fase, este livro é um abraço.
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